quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

[HQ] Cebolinha, o Grande Pintor... e curiosidades


Cebolinha n° 151 traz na capa o peço de Cr$ 2500 (dois mil e quinhentos cruzeiros), o que significava caro para a época, levando-se em conta o salário mínimo e a inflação que nos assustava e logo veio a desvalorização e mudanças de moedas. A data da publicação é de Julho de 1985, antes ainda do final da ditadura e das eleições do Tancredo Neves. 

A chamada "O GRANDE PINTOR" é a trama e abertura que curiosamente traz o nome do Cebolinha, no título, exatamente como o logo da capa. Isso não era um padrão antigamente, mas acontecia alguma vez. Já as chamadas, era difícil a revista deste personagem em específico não trazer uma - acabava sendo um diferencial do título, uma vez que Cascão, Chico Bento e Mônica quase não faziam isso. 

Cebolinha é flagrado pintando uma imagem da Mônica no muro, em aquarela. Ela, como sempre, fica fula da vida e quer acertar as contas no seu maior 'estilão' já tão característico. Entretanto, ele é salvo por um crítico internacional de arte que passava por ali e apreciou seu desenho. Os elogios são tantos que o cara fala em exportar mais obras daquelas para o exterior.

Para otimizar a produção, Cebolinha, todo cheio de si, chama os amigos para lhe ajudar. Desta vez, como estratégia, eles resolvem providenciar carimbos, uma vez que seria bem mais fácil e rápida a reprodução em larga escala. 

O tempo passa e o homem volta. Ao contrário das expectativas, ele fica abismado com tudo aquilo. Na penúltima página, em desespero, ele diz:

"Um futuro grande mestre agora não passa de um mero carimbador! Quem vai querer comprar um desenho que pode ser vendido em escala industrial? Que pode ser encontrado em qualquer esquina, bar, banheiro?"

O sujeito vai embora, profundamente decepcionado, e Cebolinha fica na mão. 

Mônica termina a história contando o fato à Magali e mostrando que ela também deu suas carimbadas (na molecada). Ah! Ah! Ah!

Essa história você vai conferir na íntegra logo abaixo. Claro que o scan não tem um acabamento primoroso, mas dá para ler e sacar o que se passa. 

Os desenhos são ótimos. Deslumbramos um estilo já bem caprichado que marcou os anos 80 e nos trouxe aventuras memoráveis como "O DEUS CEBOLA", "O CEBALÃO", "O TERRÍVEL PLANO DOS DEDOS MINHOCAIS", "OS CREMILINS", "A EX-AMIGA" e muitas, muitas outras.


Algumas observações: 

- a cor do coelhinho da Mônica, um azul bem mais claro do que o de hoje em dia; isso também aconteceu algumas vezes com o Bidu... na revista do Cascão n° 49, por exemplo, ele apareceu quase branco, de tão clara que foi a tonalidade.

- folheando a revista, dá pra notar uma textura na pintura, principalmente em espaços grandes com o o plano de fundo; sempre me perguntei se os quadrinhos eram pintados com lápis de cor ou giz de cera; em alguns almanaques, dava a impressão de que usavam mesmo era a tinta guache, pois a cor verde limão, em especial, denunciava tons mais escuros no que representava ser uma "poça" de tinta que acumulara e secara ali.

- logo na capa havia um informativo sobre um brinde no meio da revista: um par de papel de carta (era modinha na época).

- a publicidade, antes da página, para um torneio esportivo escolar patrocinado pela MAGUARY (tudo leva a crer que não é a mesma do suco e, sim, alguma entidade de ensino). 

- os lápis de cores da Labra, logo na abertura da história, na lateral direita da página; naquela época, esses anúncios eram comuns; hoje, acho que dão até um certo charme. 

- duas páginas informando uma promoção da empresa de brinquedos GROW: a primeira explica os detalhes e a segunda contém os quadrinhos já pré estabelecidos para que o participante monte a sua historinha com a turminha; o vencedor teria a sua arte publicada em uma futura edição da turma da Mônica e ganharia mais cinco jogos da GROW; o segundo colocado ganharia quatro jogos, o que também não era nada ruim; confesso que cheguei a fazer alguma coisa, mas, obviamente, "criançola" como era, não tive o menor jeito.

Anos mais tarde, ganhei um prêmio escolar simbólico de um concurso do mesmo gênero por uma página que fiz com meus próprios personagens, na época, a turma da maionese Helmans.

A página mostrava a vingança da Clara, que ficou sentida porque não foi chamada para o piquenique.

Pelo pouco que me lembro, ela fez um também (com seu amigo Tomato) e não chamou o Helmans, o Nabo, a Alface e o Almeirão. 

Já no ano seguinte, tentei embarcar em um novo concurso desse, mas a direção escolar interveio porque perceberam que o nome Helman fazia alusão à maionese Hellmann´s. Resultado: fui desclassificado. rsrsrs...

Eu me inspirei, na verdade, em uns imãs acolchoados de geladeira que nós tínhamos. Sei lá onde minha mãe arrumou aquilo, mas era bem legal!

Só para terminar, essas páginas de propagandas jamais sairiam na Coleção Histórica. Seria muito interessante se a reprodução fosse fiel, mas sabemos que seria inviável acontecer, infelizmente.


Abraços a todos.

Fabiano Caldeira.



----------- <<<   Banco de Imagens   >>> ------------










9 comentários:

  1. Que história bacana kkkk. Achei muito engraçada a cara do Cebolinha de orgulho quando o cara elogia o desenho dele, ele dá um sorriso de orelha a orelha, rs. Interessante saber sobre a turma da maionese Helmans, na quinta série eu tive um trabalho em dupla que tinha que criar uma história, lembro que criei a turma dos legumes, uma cenoura era o personagem principal.
    Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bacana você ter tido essa ideia dos legumes. Teria alguma are guarda da daquele tempo???
      Sobre a história, a urminha era realmente bem mais expressiva. Eaxtudo melhor nesse tempo. As histórias corriam soltas. E isso, em pleno regime governamental que ainda não batia no peito pra falar de democracia.
      Um abraço! Tudo de bom!

      Excluir
    2. Infelizmente não, mas lembro que meu traço não era muito bom não kkk, mas pra minha idade na época era até mais ou menos, por isso fiz a arte e o meu colega cuidou mais do roteiro.

      Excluir
    3. Foi a mesma coisa comigo na arte que ganhei o prêmio escolar. Meu primo, que era mais velho, fez o roteiro enquanto eu só entrei com a arte. Infelizmente não tenho guardado, mas acredito que não deve ser igual minhas lembranças. Ainda lembro bem dos personagens, mas duvido que são os traços que tenho na minha mente. Eu era muito criança, lembro que foi a base de lapiseira e lapis de cor. Ah, Ah, Ah!

      Excluir
  2. ""Um futuro grande mestre agora não passa de um mero carimbador! Quem vai querer comprar um desenho que pode ser vendido em escala industrial? Que pode ser encontrado em qualquer esquina, bar, banheiro?"

    Por ironia, hoje eles fazem desenhos tudo digitais para agilizar a produção e por outro lado estragam a arte e desanima. Os desenhos hoje parecem carimbos.

    Essa hq é muito legal. Ótima postagem. Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Marcos! Perfeita observação!
      Um abraço.

      Excluir
  3. As hqs dos anos 80 eram muito boas.
    Esse Maguary da propaganda é do suco mesmo, reconheci de cara o logotipo da ápoca (E repare no slogan embaixo "A sua reserva natural" que era usado nas propagandas do concentrado em garrafas).

    ResponderExcluir

Peço educação e gentileza na troca de ideias. Obrigado!